Os manguezais têm um papel decisivo na preservação e manutenção equilíbrio ecológico. Com papel ecológico inestimável ele fertiliza a zona costeira e tem importante papel na produtividade das marés.
Os manguezais são ambientes exclusivos das costas tropicais, é um elo fundamental da cadeia alimentar que começa com microorganismos e termina nos seres humanos.
Os manguezais são ambientes exclusivos das costas tropicais, é um elo fundamental da cadeia alimentar que começa com microorganismos e termina nos seres humanos.
O Mangue é uma vegetação típica dos litorais tropicais, que no Brasil vão desde Santa Catarina até o Amapá, a partir do Piauí até o Amapá, os manguezais se alargam, prolongando-se 50 a 60 Km continente adentro. Trata-se de bosques de árvores retorcidas que crescem em terreno de solo negro e lamacento, de odor fétido causado pela decomposição, sobre o qual é quase impossível caminhar sem atolar até os joelhos. Predominam neste meio, três plantas muita característica: o mangue ou (Rhizophora mangle), a avicênia e a lagunculária.Na maré alta, o rio, represado e misturado com a água do mar, inunda todo o manguezal, cobrindo o solo e os troncos com uma lâmina de água de altura variável. Por causa disso e pela grande quantidade de microrganismos que decompõem a matéria orgânica do lodo, o solo não contém oxigênio, motivo suficiente para impedir que qualquer outra planta viva nesse meio. Somente três árvores constituem as florestas de mangue: o mangue vermelho, o mangue seriba e o mangue branco. As árvores são acompanhadas por um pequeno número de outras plantas, tais como a samambaia do mangue, o hibisco e a gramínea Spartina. Ricas comunidades de algas crescem sobre as raízes aéreas das árvores, na faixa coberta pela maré. Pelo contrário, os troncos permanentementes expostos e as copas das árvores são pobres em plantas epífitas. Mas as plantas do manguezal possuem adaptações especiais que não só permitem a sua vida como também lhes asseguram uma incrível atividade, utilizando a riqueza de nutrientes aí encontrados. Isso faz desses bosques os maiores produtores de alimentos orgânicos que se conhece em toda terra.Entre essas adaptações estão as raízes-escoras dos mangues e os pneumatóforos (raízes que respiram o oxigênio) das avicênias. As raízes-escoras partem quase do meio do tronco-perto dos galhos mais baixos e se enterram na lama fina, onde se ramificam intensamente. Já os pneumatóforos, ou "raízes respiratórias", emergem do lodo, erguendo-se vários centímetros acima do solo, às dezenas, em torno de cada tronco das avicênias e lagunculárias. Ambos os tipos de raiz, além de dar sustentação aos troncos naquele terreno mole e movediço, procuram o ar ou a água, de onde retiram o oxigênio indispensável ao seu desenvolvimento. Existem outras adaptações das plantas a essas condições adversas. Uma das maiores dificuldades para a povoação vegetal desses terrenos está na sua forma de reprodução. Qualquer fruto ou semente seria logo arrastado para o mar pela maré vazante, ou enterrado no lodo, morrendo por falta de oxigênio. Contudo a natureza dotou algumas destas plantas de frutos com sementes vivíparas, isto é, que germinam antes que o fruto se desprenda da planta-mãe. Dessa forma, ao cair, as sementes já possuem um embrião desenvolvido, com raízes prontas para se fixar imediatamente ao lodo. Outro recurso encontrado em algumas espécies é a semente provida de um prolongamento em forma de estilete. Isso lhe permite fincar-se ao solo, no momento da queda, germinando em seguida. Outras adaptações a esse tipo de ambiente são as glândulas de sal existentes nas folhas de algumas das árvores. Elas possibilitam à planta eliminar o excesso de cloretos absorvidos da água salobra. A fauna dos mangues consiste principalmente em animais marinhos que passam apenas uma parte de sua vida nesse ecossistema, em geral por ocasião de sua reprodução.É o que ocorre com algumas aves marinhas, peixes e alguns invertebrados. Entretanto, alguns animais vivem permanentemente nos mangues, como as ostras e alguns caranguejos. Esse ecossistema é fundamental como fornecedor de alimento para todos os seres do oceano, é muito frágil. Nos limites do manguezal, onde o terreno começa a ficar mais firme, observam-se outras plantas típicas. São exemplos as árvores de mulungu, com suas belas e abundantes flores vermelhas, e os perfumados lírios-do-brejo, de grandes e delicadas flores brancas. Malcheirosos e barrentos, os manguezais foram por muito tempo considerados inúteis. Vários foram aterrados e transformados em loteamentos. Só nas duas últimas décadas, sua imensa importância foi reconhecida. Dos 25 000 quilômetros de mangues que o Brasil tinha quando foi descoberto, restam cerca de 35%. “Os manguezais são comunidades de plantas tropicais ou subtropicais inundadas pelos movimentos dos mares. Pela troca de matéria orgânica entre a água doce e a água salgada, os mangues estão entre os ecossistemas mais produtivos do mundo.Estima-se que duas mil espécies de microorganismos, animais vertebrados e invertebrados estejam associados à vegetação do mangue. Os estuários fornecem áreas de desova e criação para dois terços da produção anual de pescados do mundo inteiro. Pelo menos oitenta espécies comercialmente importantes dependem dos alagadiços costeiros.Não é por acaso que os mangues são considerados um elo básico da cadeia alimentar marinha. Apesar das muriçocas, mosquitos e mutucas, inimigos das donas-de-casa, para os cientistas os mangues são tidos como os símbolos de fertilidade, diversidade e riqueza. Alguns litorais são criados por árvores. Os mangues, espécies arbóreas in¬vulgares, crescem em locais onde outras árvores não conseguem sobreviver no mundo úmido e salgado dos mares tropicais e subtropicais banhados por marés. Ao longo destas costas, os mangues criaram verdadeiras florestas virgens. Embora na sua maioria as árvores produzam sementes que não germinam imediatamente, mesmo que sejam plantadas, as de uma das várias espécies de mangues, o mangue-vermelho, possuem características excepcionais — germinam enquanto se encontram ainda ligadas ao ramo. Uma raiz irrompe através do fruto e forma uma extremidade aguçada que pode atingir 22 cm de comprimento. Quando a semente finalmente se separa do ramo, cai, implantando-se com freqüência verticalmente no fundo mole e lodoso do mangal. A semente de um mangue flutua na água (fenômeno que é possível observar numa praia tropical), mesmo durante meses, sem ser afetada pela água salgada, pelo sol abrasador e pela rebentação das ondas. Numerosos animais dependem dos mangues para efeitos de proteção e de sustento. As ostras prendem-se às raízes de apoio, onde cobertas pelas marés altas. À noite, os bancos de ostras são atacados pelos guaxinins. Caranguejos do gênero Uca fazem covas no lodo entre as raízes; estrelas-do-mar movimentam-se lentamente sobre a superfície lodosa. No cimo das copas densas dos mangues, empoleiram-se e nidificam por vezes colônias populosas de pelicanos e garças. E enquanto um mangal, com a vida animal dele dependente. Avança lentamente pelo mar adentro, num litoral distante uma única semente pode representar o início da formação de um outro mangal”.
(Ao encontro da Natureza; Reader's Digest)
As florestas de mangue já atraíam a atenção dos antigos biólogos por serem florestas que crescem nas águas rasas do mar. Devido a várias propriedades de estrutura e funcionamento, este ecossistema ocupou as áreas costeiras protegidas dos oceanos e mares tropicais. Tipicamente, o manguezal se encontra na zona entre marés.
Ao contrário de outras florestas, os manguezais não são muito ricos em espécies, porém, destacam-se pela grande abundância das populações que neles vivem. Por isso podem ser considerados um dos mais produtivos ambientes naturais do Brasil. Quanto à fauna, destacam-se as várias espécies de caranguejos, formando enormes populações nos fundos lodosos. Nos troncos submersos, vários animais filtradores, tais como as ostras, alimentam-se de partículas suspensas na água. As maiorias dos caranguejos são ativas na maré baixas, enquanto os moluscos alimentam-se durante a maré alta. Uma grande variedade de peixes penetra nos manguezais na maré alta. Muitos dos peixes que constituem o estoque pesqueiro das águas costeiras dependem das fontes alimentares do manguezal, pelo menos na fase jovem. Diversas espécies de aves comedoras de peixes e de invertebrados marinhos nidificam nas árvores do manguezal. Alimenta-se especialmente na maré baixa, quando os fundos lodosos estão expostos.
Os manguezais fornecem uma rica alimentação protéica para a população litorânea brasileira: a pesca artesanal de peixes, camarões, caranguejos e moluscos é, para os moradores do litoral, a principal fonte de subsistência.
O manguezal foi sempre considerado um ambiente pouco atrativo e menosprezado, embora sua importância econômica e social seja muito grande. No passado, estas manifestações de aversão eram justificadas, pois a presença do mangue estava intimamente associada à febre amarela e à malária. Embora estas enfermidades já tenham sido controladas, a atitude negativa em relação a este ecossistema perdura em expressões populares onde a palavra mangue, infelizmente, adquiriu o sentido de desordem, sujeira ou local suspeito.
A destruição gratuita, a poluição doméstica e química das águas, derramamentos de petróleo e aterros mal planejados, são os grandes inimigos do manguezal.
A destruição gratuita, a poluição doméstica e química das águas, derramamentos de petróleo e aterros mal planejados, são os grandes inimigos do manguezal.
Nenhum comentário:
Postar um comentário